Remada de Inverno - Segundo dia
A noite foi tranquila no acampamento às margens da Lagoa do Peixoto. Algumas nuvens baixas encostavam nos belos morros da Serra Geral e não parecia que teríamos chuva. Logo cedo chegaram o Germano e o Fernando Bueno. Comemos pães que tínhamos preparado na véspera e começamos a desmontar acampamento e arrumar as tralhas nos caiaques enquanto mais companheiros de remada chegavam: Márcio e Pardal com o caiaque duplo (Biguá Albino), Rogério e Fernando de Torres.
Germano foi o primeiro a colocar o caiaque na água e aproveitou o tempo para praticar com a vela. Perto da margem quase não havia vento, mas um pouco mais afastado ele já podia sentir as rajadas desequilibrando o caiaque. O vento havia virado para o quadrante Norte, portanto provavelmente remaríamos com ondas e vento contrários.
Apesar de estarmos na nossa Remada de Inverno, o dia não estava com o frio típico "de renguear cusco" - ao contrário do que esperávamos, estava bem agradável para remar: friozito, pero no mucho.
Na lagoa Pinguela remamos contra as ondas, que não estavam tão altas quanto eu imaginava, mas que deram um leve gostinho de aventura ao passeio. O vento tratava de nos fazer remar e assim também ficamos aquecidos. Passamos pelo "espantalho", que estava quase se afogando no meio das ondas. Para se ter uma ideia do nível elevado da água, pode-se comparar com as fotografias deste mesmo local em janeiro, durante a Remada de Osório a Tramandaí [por favor clique no link para ver a postagem dessa remada e conferir o "espantalho"].
Fizemos uma parada para reagrupamento e para definirmos como seria o trajeto na Lagoa do Palmital. Ficou decidido que atravessaríamos diretamente para a margem oposta mais próxima e depois seguiríamos Após a parada passamos ao lado da ponta submersa por onde o pai, a Tiane e eu havíamos remado no dia anterior e começamos a atravessar a Lagoa do Palmital. Apesar do combinado, o grupo se dispersou um pouco, com alguns seguindo em rumo diferente do proposto e com isso aumentando o percurso de remada contra vento e ondas. Nem sempre o melhor trajeto entre dois pontos é uma linha reta... Na ponta de terra que limita a Lagoa do Palmital com a Lagoa das Malvas existe um local bonito para acampamento - ficou combinado que faríamos parada para almoço ali. Por ter remado em águas mais abrigadas cheguei bastante antes dos companheiros de jornada e pude filmá-los se aproximando. Podia perceber que avançavam com dificuldade enfrentando o vento até chegarem mais próximos da margem que oferecia proteção. Deixei o caiaque de lado com a vela aberta para melhorar a visualização de onde estava.
Pouco a pouco todos foram chegando e comentando sobre a travessia; de modo geral, falava-se sobre as ondas e a dificuldade em avançar contra o vento. Dali para a frente o trajeto proposto seria com mais vento pela frente e com as ondas da Lagoa das Malvas; depois disso, entraríamos no canal João Pedro com correnteza contrária e sem possibilidade de acampamento em suas margens submersas; para finalizar, entraríamos na Lagoa dos Quadros, onde certamente ondas altas e costa desprotegida nos dariam as boas vindas. Diante desse quadro, durante a parada para o almoço chegou-se a um consenso: em vez de seguirmos adiante, optamos por aproveitar esse belo local e o calor do sol e acamparmos ali mesmo. Escolhemos os locais para as barracas e em pouco tempo estávamos conversando na roda de chimarrão e um projeto de fogueira para a noite já tomava forma... Informações disponibilizadas pelo gps: Remada de Inverno - Terceiro dia
Quando os primeiros raios de sol tocaram o acampamento já estávamos despertos para admirar as luzes de um belíssimo dia. Céu azul sem nuvens e sol brilhando!!!
Uma brisa suave apenas ondulava a superfície da água e nem chegava a agitar os juncos dourados pela luz invernal. Sem pressa tomávamos o café da manhã, arrumando as tralhas e desmontando acampamento. Apenas Rogério e Fernando, de Torres, tinham horário a cumprir e pretendiam abreviar a participação na remada. Depois da fotografia de todo o grupo (abaixo), saíram com pressa para retornar a Osório. Originalmente a ideia da Remada de Inverno previa um percurso de somente dois dias, com saída na Lagoa do Peixoto em Osório e chegada em Maquiné. Propus para a Tiane e para o pai que saíssemos um dia antes de Maquiné e fôssemos remando até Osório; acamparíamos por lá e encontraríamos os demais remadores já no local de saída. Desafio proposto, desafio aceito. No primeiro dia remamos quase 38 km e acampamos no parque municipal na margem da Lagoa do Peixoto. No segundo dia, em vez de remarmos até o local previsto para acampamento (sob as figueiras, na margem da Lagoa dos Barros), remamos somente até a parada para almoço na ponta de terra que separa as lagoas do Palmital e das Malvas (13 km, menos da metade do trajeto originalmente proposto). Na imagem abaixo, os trajetos realizados - em amarelo, o primeiro dia, com quase 38 km remados; em laranja, o segundo dia, com menos de 13 km remados; em vermelho, o terceiro dia, com pouco mais de 15 km remados - e o trajeto originalmente proposto até Maquiné, em verde:
Com a mudança de planos, iniciamos a remada com a intenção de explorarmos um pouco mais do Norte e do Oeste da lagoa Pinguela e rumamos na direção do Morro Alto. As condições para remada estavam excepcionais. Chegando aos "pés" do Morro Alto nosso novo plano de aproveitarmos o dia para conhecer mais a lagoa Pinguela foi por água abaixo quando a Tiane e o pai provocaram um "motim", argumentando que ficaria muito tarde para retornarmos a Osório e depois buscarmos o carro em Maquiné. O dia estava perfeito para remar, estávamos na companhia de bons amigos e num belíssimo local e relativamente perto de Osório, de modo que não consegui deixar de ficar chateado com essa decisão, mas como grupo acatamos a "sugestão". Márcio e Pardal, no caiaque duplo, já estavam mais adiante, seguindo para o Oeste da lagoa Pinguela, mas logo enxergariam nossa mudança de rumo; além disso, não havia qualquer oportunidade de risco iminente numa eventual separação dos membros do grupo. Lá fomos nós, retornando para a ponta alagada.
Na margem da lagoa aproveitei a ocasião para remar onde normalmente não é possível, na região que agora estava alagada entre os juncos e a margem. Após o almoço continuei remando na estreita faixa alagada entre os juncos e a margem (foto ao lado) com a intenção de observar a fauna e a flora. Tive a grata surpresa (e o susto!) de topar com uma grande capivara que, aos saltos, passou rapidamente na minha frente rumo à segurança da água mais profunda. Saímos da lagoa Pinguela pelo mesmo canal de acesso à Lagoa do Peixoto por onde havíamos remado no dia anterior e no anterior ao anterior. Nossa remada estava chegando ao fim.
Mesmo com todas as mudanças de plano, foi uma experiência bastante gratificante ter o privilégio de remar em uma região tão bela, em condições variadas e na companhia de amigos que compartilham dessa mesma satisfação. Que venha a próxima!!!
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