Remada de Inverno - Primeiro dia Amanhecer em Maquiné. Depois de vários dias chuvosos, um dia com algumas nuvens em um belo fundo de céu azul.
Quando as primeiras luzes do sol começavam a tingir os morros da serra, o pai, a Tiane e eu tomávamos café e começávamos a arrumar as tralhas para a remada. Os caiaques já estavam aguardando... A flotilha do Maquiné - composta pelo Clandestino (Markopolo Weir) da Tiane, pelo Lagarantíasoyyo (Markopolo Weir) pilotado pelo pai e pelo ilegal! (Franky Weir) conduzido por mim - aguardava os vários sacos estanques que seriam transportados nos compartimentos estanques de proa e popa. Pouco a pouco fomos encontrando lugar para tudo.
Por volta das nove e quinze empurramos os caiaques para a água no Braço Morto do rio Maquiné. O nível da água estava elevado devido às chuvas e tanto o rio quanto seu braço saíam de seu leito normal. Descemos pelo Braço Morto e passamos pela balsa que ainda hoje faz ligação entre as localidades de Maquiné (Cantagalo e Prainha) e Capão da Canoa. Pouco adiante remávamos na desembocadura do rio Maquiné na Lagoa dos Quadros. Como o vento soprava do quadrante Sul, remávamos em águas calmas.
Percorremos a costa meridional da Lagoa dos Quadros passando quase sempre ao lado de juncais crescendo rente à margem. Algumas vezes os juncos davam lugar a espaços normalmente ocupados por belas praias de areia, que agora estavam submersas. Passamos também pelo local onde pretendíamos acampar no final do dia seguinte, no retorno a Maquiné. A idéia da Remada de Inverno seria percorrer o trajeto entre Osório e Maquiné, então pensei: por que não ir a Osório remando? Saimos um dia antes com a intenção de percorrermos nesse dia o percurso que seria feito no sentido contrário nos dois dias seguintes.
O Canal João Pedro liga as águas da Lagoa dos Quadros às águas da Lagoa das Malvas e essas águas fluem posteriormente em direção ao rio Tramandaí, que desemboca no oceano Atlântico. Na entrada do canal já sentimos que havia forte correnteza favorável ao nosso avanço. Paramos na margem esquerda para um rápido lanche previamente preparado. O vento Sul, que agora se apresentava desfavorável ao nosso avanço, não favoreceu uma parada mais demorada, pois ao parar de remar começamos a sentir frio.
As margens em quase todo o percurso estavam parcialmente submersas e servindo de poleiro para as aves, na espreita à procura de alimentos. Mesmo se precisássemos, não encontraríamos local seco para desembarque; acampamento seria impossível. A correnteza estava favorável, mas em locais onde o canal seguia em direção francamente contrária ao vento havia formação de ondas.
Na Lagoa das Malvas chacoalhamos um pouco nas ondas, mas optamos por um rumo em direção à proteção da costa, portanto à medida em que avançávamos as ondas iam diminuindo até que passamos a remar em águas calmas. Pelo meio do junco enxergamos uma área de acesso à terra e remamos por ali até encontrarmos uma bela propriedade onde pedimos permissão para desembarcar e comer os pastéis que tínhamos para almoço.
Depois do almoço remamos por águas abrigadas até alcançarmos a ponta de terra que separa a Lagoa das Malvas da Lagoa do Palmital e atravessamos em direção à margem oposta (por favor veja a imagem do Google Earth no final da postagem). Ali o perfil do Morro Alto já havia se modificado consideravelmente.
No parque municipal, que ainda carece de infraestrutura, rapidamente montamos acampamento para podermos trocar de roupa, pois o frio estava chegando junto com a noite.
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