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Paula Simon Ribeiro
Folclorista, jornalista, autora de diversos trabalhos entre os quais, na área de Folclore, Adivinhações populares (1987), além de artigos publicados em revistas e jornais....Vizualizar perfil completo
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15/10/2010 Lilian Argentina
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  Paula Simon Ribeiro
 
15/10/2010
Lilian Argentina

Falar sobre Lilian Argentina não é uma tarefa muito fácil!
Lílian foi uma pessoa múltipla, inteligente, generosa e, sobretudo humilde que nunca se deixou seduzir por sucessos, riquezas, posições estratégicas de poder, cargos de chefia, homenagens etc. Mantinha sempre a mesma postura quieta e conciliadora diante das atribulações do dia a dia.

Tive o privilégio de conviver com ela diariamente durante dez anos. Muito aprendi com a minha companheira de trabalho no IGTF. Nossas mesas ficavam encostadas em forma de L, portanto ficávamos quase frente uma outra. O trabalho fluía com rapidez e os comentários sobre o que estávamos fazendo só enriqueciam o resultado final de nosso trabalho.

Não vou transcrever um currículo, pois linhas escritas sobre cargos exercidos, titulação ou diplomas, não nos dizem realmente quem foi a Lilinha como a chamávamos carinhosamente dentro do setor de pesquisa.

Estava sempre pronta a ajudar, esclarecer duvidas ensinar alguma coisa a alguém. Até seus últimos dias de vida esteve lúcida e mesmo hospitalizada deu orientação para as prendas que concorreriam ao Concurso estadual. Tenho certeza que dezenas de meninas conquistaram suas faixas de 1ª, 2ª ou 3ª Prendas, lembram dela com carinho e guardam na memória os ensinamentos da professora/pesquisadora incansável, que mesmo enfraquecida pelo mal que a levou não deixou de receber quem a procurava e transmitir um pouco de seu grande conhecimento de nossa cultura.

Viajamos muito pelo RS, em pesquisas de campo, cursos, palestras em escolas, em CTGs, participando de Congressos e Seminários e também fazendo avaliação em rodeios, concursos.

As viagens para pesquisa não representavam “trabalho”, eram prazerosas e as horas que passávamos em campo passavam muito rapidamente. Sabia se adaptar como ninguém ao momento e s pessoas que entrevistava, era “camaleoa”, transformava-se de professora em roceira, marisqueira ou colona e assimilava o modo de falar e de se portar do informante. Desnecessário dizer que conseguia todas as informações que buscava! Também neste aspecto aprendi muito com ela!

Conhecia como poucos pesquisadores as inúmeras nuances da cultura gaúcha, desde sempre valorizou a contribuição das etnias e a contribuição destes grupos na formação da identidade cultural do gaúcho.

Profunda conhecedora da indumentária do gaúcho era constantemente solicitada a esclarecer dúvidas, (contava divertida que lera toda a biblioteca da Casa de Portugal em busca de informações sobre a origem da braga portuguesa...).

Pesquisou danças antes da publicação do Manual de Danças gaúchas, a “bíblia” das invernadas, e com uma equipe da qual participava sua filha, fez a notação gráfica das danças nos Açores e conseqüentemente um estudo comparativo destas danças com as praticadas no RS.

Lastimamos que estas pesquisas não tenham sido suficientemente divulgadas.

Durante mais de vinte anos, também com equipe da qual participavam Rose Marie Reis Garcia, Marly School e outros, estudou a gaita (acordeom) no RS, desde a chegada com os primeiros imigrantes até nossos dias, tendo documentado a fabricação deste instrumento junto as antigas fábricas Todeschini e Veronese, e pesquisado os grandes instrumentistas do passado como Tio Bilia, os Irmãos Bertussi e outros, até os novos de nossos dias como Edson Dutra, Porca Veia, Renato Borghetti e outros, (cito apenas estes não podendo citar todos, nem querendo fazer injustiça a outros grandes instrumentistas do nosso tempo).

Lastimamos também que este trabalho nunca tenha sido publicado e desejamos que ele “apareça” (de onde estiver guardado!), que venha a publico para o enriquecimento de nosso saber sobre as coisas de nossa terra.

Parceiras em muitas pesquisas de campo o que proporcionava um contato próximo nos tornamos amigas e as alegrias e problemas pessoais eram compartilhados, bem como em muitas ocasiões o quarto de hotel e até mesmo a cama em situações de precariedade ou necessidade. Qualquer pesquisador de cultura popular certamente entenderá esta situação, pois as melhores informações sobre a cultura espontânea estão nos lugares mais simples. Os hotéis e acomodações nem sempre são os melhores.

Em uma ocasião, em pesquisa no município de Tainhas, ficamos alojadas no sótão do CTG, e Lílian que tinha muito medo de aranhas levou junto um mosquiteiro, para se proteger de “qualquer eventualidade”.
Sonia Siqueira Campos, nossa colega no IGTF e amiga constante também enfrentou conosco muitas adversidades, que só serviram para estreitar os laços afetivos e deixar boas lembranças.

Noutra ocasião, chegando junto com Sonia em uma pequena cidade do interior, já tarde da noite, não tinha ninguém na rodoviária esperando. Tudo escuro, nenhum sinal de vida, a cidade adormecida... As duas já um pouco assustadas caminharam em direção a um único prédio iluminado para pedir ajuda. Era a funerária da cidade... (Foram bem recebidas e encaminhadas a quem de direito e obrigação!)

Muitas histórias poderiam ser relatadas pois a cada viagem as vivências se acumulavam.

Lílian com a generosidade que marcou sua personalidade sempre se preocupou com seus familiares e com os familiares de seus colegas e amigos. Mesmo quando já estava muito debilitada, frágil e hospitalizada, antes de responder aos amigos que a visitavam como estava se sentindo, perguntava noticias dos familiares que ela tinha conhecimento terem problemas de saúde. Isto muito me comovia, pois seu interesse era genuíno.

Saudosa Lílian! foi um privilegio tê-la conhecido. Agradeço a Deus ter-me permitido este convívio.

Lilian Argentina no recebimento do Prêmio Imortais

       
 
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Meu Querido Amigo Ivo Ladislau, Não posso deixar de lhe agradecer este extraordinário testemunho de uma SENORA ímpar, que me conseguiu emocionar. Aqui encontrei novamente a ternura, o carinho e a amizade, desse extraordinário POVO AÇORENO, com quem tive o privilégio de contactar no mês de Julho, durante uma semana em que o Coro do Circulo Cultural Scalabitano, de Santarém.Portugal, se deslocou s ilhas Graciosa, Faial, Pico e Terceira e que ali foi recebido de uma forma, impossível de explicar por palavras. Que gente extraordinária, que se dá aos outros de uma forma que cala fundo em nossos corações. Abençoada GENTE DOS AÇORES, de quem já tenho tantas saudades e um sentimento de gratidão, sem medida. Grande abraço para si AMIGO IVO e parabéns por exte extraordinário blog, Muito agradecido, Joaquim Vale Cruz
 
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